segunda-feira, 22 de abril de 2013

CANDIDO PORTINARI SÉRIES BÍBLICA E RETIRANTES




Período:
A partir de 18 de abril de 2013 - sem previsão de encerramento

Em onze obras, CANDIDO PORTINARI volta em sala especial a partir de 18/4 (na imagem, Retirantes, de 1944)



As séries serão mostradas em sala especialmente desenhada, o que permite extrair todo o potencial formal e humano das obras. O conjunto abrange o período em que a denúncia social marcou a pintura de Candido Portinari, que reflete a situação brasileira a reboque das calamidades da guerra, que sensibilizaram tantos pintores europeus.

Apresentação pelo curador, Teixeira Coelho:

As obras aqui expostas põem em evidência os motivos pelos quais Portinari foi considerado um dos pintores brasileiros por excelência da primeira metade do século XX.
A série Bíblica foi executada entre 1942 e 1944 para a sede da Rádio Tupi de São Paulo a pedido de Assis Chateaubriand. São oito telas de grandes dimensões que ilustram passagens do Velho e do Novo Testamento.
A marca de Guernica - feita por Picasso em 1937 em reação à destruição daquela cidade basca pela aviação alemã com a cumplicidade da própria ditadura espanhola à época, encabeçada por Franco - é evidente e nunca foi negada por Portinari. Ele de fato quis pintar como Picasso naquela tela, por ele vista em Nova York por ocasião de sua estada em Washington com a finalidade de realizar painéis para a Biblioteca do Congresso. Guernica, hoje no Reina Sofia de Madrid, causou forte impacto sobre Portinari e o levou a adotar e adaptar o estilo do colega espanhol.
A série seguinte, Retirantes, foi produzida entre 1944 e 1945. Das cinco pinturas iniciais, o MASP tem estas três – que deixam de lado o estilo da série anterior em busca de outra linguagem, mais próxima da adotada pelos muralistas expressionistas mexicanos Orozco e Siqueiros.
Mostradas em conjunto, estas onze peças são um exemplo singular da arte pública engajada que, à época, se identificava com a vanguarda política e estética.

LEITURA VISUAL E SOCIAL DA OBRA: GUERNICA




 Em 18 de julho de 1936, a sublevação das tropas acantonadas em Marrocos foi o estopim da Guerra Civil Espanhola, conflito que durou três anos e foi um prelúdio da Segunda Guerra Mundial. Picasso, que até então não havia mostrado suas preferências políticas, condenou o levante militar. Em reconhecimento por seu gesto, o governo espanhol o nomeou diretor do Museu do Prado, cargo que nunca chegou a exercer.
Em 1937, a situação política estava num ponto de ruptura. Depois de tolerarem o ameaçador rearmamento alemão e o golpe italiano na Etiópia, as democracias burguesas assistiam inertes à agressão fascista na Espanha. Sabiam que o triunfo da reação espanhola assinalaria o término da democracia na Europa, mas remiam, opondo-se a ele, acelerar o processo revolucionário das classes trabalhadoras. Inaugurando-se uma exposição internacional, dedicada ao trabalho, ao progresso e à paz.
                A Espanha republicana participa com uma finalidade política: apelar à solidariedade do mundo livre, demonstrar um país com desenvolvimento da democracia, servia de alerta aos cidadãos espanhóis de um conflito uma tragédia que envolveria o mundo inteiro. Em janeiro de 1937, em razão da Exposição Internacional de Paris, a ser aberta em maio, o pavilhão espanhol devia ser ornamentado por uma pintura mural de Picasso, o pintor espanhol agora universalmente aclamado como o gênio artístico do século. Com sua participação no evento, a República espanhola procurava gerar um efeito favorável e vital para sua causa. Era uma tentativa de forçar o apoio das potências democráticas em favor da República diante da ameaça representada pelo general     Francisco Franco, que recebia apoio militar e político de Hitler e Mussolini. 
No campo artístico, os  republicanos conclamaram a colaboração dos mais reconhecidos artistas espanhóis da época: os arquitetos Josep Lluís Sert e Luis Lacasa, os pintores Picasso e Miró, os escultores Julio González, Alberto Sánchez e o americano Alexander Calder, o cineasta Luis Buñuel e o fotógrafo e diretor geral de Belas – Artes Josep Renau.
                    A guerra chegava e com ela a critica de Picasso, que se filiou, em 1944, ao Partido Comunista. Guernica, uma de suas obras mais conhecidas, já havia sido um protesto nada silencioso contra o sangue derramado no bombardeio a cidade basca, Guernica, pelos fascistas, em 26 de abril de 1937. O ataque aéreo deflagrado pela Legião Condor da Alemanha nazista proporcionou o tema do que se tornaria sua obra – prima. Em 1º de maio, Picasso tomou conhecimento da tragédia ao ler em Ce Soir a reportagem “Visões de Guernica em chamas”, ilustrada com fotos em preto – e - branco. Impressionado pela brutalidade do ataque que deixou 1660 mortos e 890 feridos, Picasso traçou os primeiros esboços de sua obra mais universal.  
Sondagem do eu e os cenários da pátria. Em contato com os surrealistas Picasso trabalha depois de meia centena de estudos prévios, em 11 de maio Picasso começou a trabalhar a tela. Até 4 de junho, data em que concluiu a obra, fez seis modificações da proposta original, que foram fotografadas por Dora Maar. A ordem compositiva foi determinada na primeira versão. A imensa tela se estrutura a partir de um grande triângulo que domina o centro do quadro e se estende dos dois vértices inferiores até o ponto mais alto de seu eixo vertical. O quadro foi pintado em preto – e – branco, com cinzas e toques de azul. Para alguns especialistas, a monocromia da obra se deve ao impacto gerado no pintor ao ver as  fotografias do massacre. Outros estudiosos, por sua vez, acreditam que a origem tenha sido o antecedente de Desastres da Guerra, de Goya.
                    Guernica apresenta poucos personagens – seis seres humanos e três animais (um touro, um pássaro e um cavalo). O conjunto, porém, proporciona uma sensação espacial angustiante, porque Picasso encerrou a ação num espaço interior, em que o tamanho das figuras em relação à arquitetura acentua o impacto claustrofóbico. Os efeitos expressionistas do contraste entre brancos e negros e a distribuição dos elementos cenográficos (as edificações, a lâmpada, o chão de tijolinhos, a lança estilhaçada, a flecha, a mesa, as chamas) reproduzem o efeito de um bombardeio e criam um caos vertiginoso e desconcertante.
                   Consciente de que a obra seria admirada por pessoas diversas, Picasso evitou referências diretas a uma realidade passível de ser identificada ou relacionada à determinada opção política. Assim, Guernica tem sentido atemporal e constitui alegoria universal contra a guerra. As formas clássicas e cubistassão por isso submetida a um tratamento expressionista, sofrendo modificações,  passível de ser identificada fragmentação das formas. Começa a pintar tudo a sua volta que o excita, heróico ou trágico. A obra, um “grito na parede”, se converteu em ícone do século XX. Grande parte de seu êxito comunicativo baseia-se na simplicidade com que Picasso expressou a dor. Para isso recorreu a seu caudal artístico.
Irônico, Mario Pedrosa notou que Guernica trouxe definitivamente a febre muralista para a arte brasileira: pinturas figurativas feitas em grandes murais e espaços públicos vinham sendo produzidas por grandes mestres modernos, como o mexicano Diego Rivera. Isto é verdade, mas é verdade também que a influência de Guernica já existia mesmo antes da obra vir para o país. Bom exemplo é a série Bombardeio, do pintor Clóvis Graciano (1943), um eco de Guernica.
                        Desde o inicio daquela década, sua pintura cubista estava impregnada das teorias  surrealistas. O resultado foi uma tela aberta à compreensão universal que permitia identificar os motivos. Em Guernica, a singeleza plástica acentuou o ar de inocência dos personagens, cujos corpos violentados e boas abertas evocam dor ou perplexidade. Essa obra revolucionou a pintura histórica. Não há vitoriosos, apenas vítimas. Diante do radicalismo da linguagem plástica, que elevou o quadro à categoria de obra universal, a narração é fútil.
                      No fim de 1939, Guernica integrou uma grande exposição sobre Picasso no Museu de Arte Moderna de Nova York. Com a derrocada da República espanhola, o quadro ficou sob custódia do museu nova – iorquino até voltar à Espanha em 1981. Picasso começa, então, adquirir uma nova versão as suas pinturas, vistas pela brutalidade e pela ternura, pela violência e pela piedade. Com toda a sua raiva e emoção começa a registrar através da pintura o horror do acontecimento de discórdia.


ÁFRICA HOJE E SEMPRE


ÁFRICA - DIVERSIDADE E PERMANÊNCIA


A África, lugar de origem da espécie humana sob a forma do Homo Sapiens, é também, no entanto, matriz e raiz de culturas que se disseminam na América no rastro da escravidão desde o século XVI.
Neste núcleo da exposição do acervo do Museu Afro Brasil se encontram elementos que mostram a imensa diversidade das culturas africanas e da arte por elas produzida. Gravuras e fotografias retratam poderosas figuras de reinos africanos do passado, bem como situações cotidianas, mostrando a diversidade étnica dos povos da África depois reduzidos à escravidão no Brasil.


TRABALHO E ESCRAVIDÃO


                     


Este núcleo trata do papel dos africanos escravizados e seus descendentes na construção da sociedade brasileira, como mão de obra essencial em todos os seus ciclos de desenvolvimento econômico. A condição desse processo foi à violência brutal que impôs o domínio sobre o corpo e a alma do escravo, suscitando, em contrapartida, diferentes estratégias de resistência, da rebelião aberta à silenciosa impregnação da sociedade e da cultura do Brasil pelos seus costumes e valores.


O SAGRADO E O PROFANO


O cristianismo imposto aos africanos escravizados acabou por lhes fornecer, no entanto, importantes espaços sociais para a preservação de suas culturas de origem. O catolicismo barroco colonial sempre viu no espetáculo de suas grandes festas um instrumento para transmitir a todos a doutrina cristã, independente de sua condição social, pelo simbolismo das imagens, cores e sons. Legitimando o poder da realeza portuguesa, ele multiplicou também as festas cívicas de que todo povo era chamado a participar, em celebrações onde a devoção era seguida da diversão, com teatro, fogos de artifício e corridas de touro, reunindo num mesmo espetáculo as manifestações sagradas e profanas. Este núcleo mostra a apropriação pelos escravos africanos e seus descendentes dessas celebrações festivas a partir das referências de suas culturas de origem, permitindo-lhes preservar muitos de seus elementos, que se conservam ainda hoje no catolicismo popular e nas festas consideradas “folclóricas”.


RELIGIOSIDADE AFRO-BRASILEIRA


                           



No Brasil, a escravidão colocou em contato as religiões de diferentes povos africanos, que acabaram por assimilar e trocar entre si elementos semelhantes de suas culturas. Assim se sobrepuseram e se fundiram divindades, ritos e cultos de origem distinta num amálgama comum de que surgiram as religiões afro-brasileiras. O candomblé de origem ioruba é uma das religiões afro-brasileiras mais difundidas em todo o país, tendo assimilado ao panteão de seus deuses – os orixás – divindades de várias outras culturas africanas. Seu culto é também conhecido como xangô ou tambor de mina no Nordeste, batuque no Sul ou macumba no Sudeste, distinguindo-se igualmente as diferentes “nações” de que se originam as formas de seus ritos, keto, gege, angola etc. Isto evidencia as transformações e as permanências africanas nas religiões afro-brasileiras.



HISTÓRIA E MEMÓRIA




Confiscar a memória de um escravo, quebrando seus vínculos de pertencimento, é uma forma eficaz de garantir sua dominação. Impedir um homem livre de reconhecer no passado aqueles que lhe serviriam de modelo no presente é perpetuar sua dominação, negando-lhe o direito à memória de sua própria história para reconstruir sua identidade estilhaçada. Este é o caso da memória negra no Brasil. Graças a uma manifestação perversa do preconceito, nega-se ao negro o direito à memória pelo “embranquecimento” dos negros e mulatos que por seus feitos se inscreveram em nossa história, esquecendo-se de sua cor, como se, sendo bem sucedidos, fossem naturalmente brancos.
Este núcleo procura resgatar como negro quem negro foi e quem negro é na história do Brasil, apresentando personalidades negras que se destacaram em diversas áreas, da colônia aos dias atuais.



ARTES



A maioria dos artistas atuantes nesse período eram negros ou mestiços de negros com brancos e muitos produziam obras coletivas nas confrarias de artes e ofícios. A religião católica fomentou a produção artística do século XVIII por meio de encomendas de esculturas em madeira representando imagens de santos; encomendas de pinturas para tetos de igrejas e objetos litúrgicos confeccionados em ouro ou/e prata; além dos “desenhos” das próprias igrejas. Esse período que abrange as artes plásticas, arquitetura, literatura e música são conhecidos como Barroco, considerada a primeira expressão artística com características brasileiras.



Pablo Picasso




Gênio incansável que nasceu em 25 de outubro de 1881, Pablo Diego José Francisco de Paulo Juan Nepomuceno Maria de Los Remedios Crispin Crispiano Santíssima Trindad Ruiz y Picasso, em Málaga, já no nome carregava a extensão de um gênio da arte.
Pablo Picasso - (1881-1973) Tendo vivido 92 anos e pintado desde muito jovem até próximo à sua morte passou por diversas fases: a fase Azul, entre 1901-1904, que representa a tristeza e o isolamento provocados pelo suicídio de Casagemas, seu amigo, são evidenciados pela monocromia e também a representa a miséria e o desespero humanos; a fase Rosa, entre 1904-1907, o amor por Fernand  origina muitos desenhos sensuais e eróticos, com a paixão de Picasso pelo circo, iniciam-se os ciclos dos saltimbancos e do arlequim. Depois de descobrir as artes primitivas e africanas compreende que o artista negro não pinta ou esculpi de acordo com as tendências de um determinado movimento estético, mas com uma liberdade muito maior. Picasso desenvolveu uma verdadeira revolução na arte. Em 1907, com a obra Les Demoiselles d’Avignon começa a elaborar a estética cubista que, como vimos anteriormente, se fundamenta na destruição de harmonia clássica das figuras e na decomposição da realidade, essa tela subverteu o sentido da arte moderna com a declaração de guerra em 1914, chega ao fim a aventura cubista.
Podemos destacar também o mural Guernica, que representa, com veemente indignação, o bombardeio da cidade espanhola de Guernica pelos aliados alemães de Franco, em abril de 1937, responsável pela morte de grande parte da população civil formada por crianças, mulheres e trabalhadores.
Picasso foi uma das personalidades mais controvertidas e importantes da arte moderna e contemporânea. Seu talento inigualável permitiu que transgredisse todas as normas da linguagem artística, criando a sua própria e transformando-a, por sua vez, em mais uma a ser questionada. Em suas diferentes fases criativas o pintor e escultor espanhol nunca deixaram de lado sua determinação de descobrir todas as possibilidades teóricas e práticas da arte.O pai de Picasso era pintor e mestre desenhista, o que possibilitou que o artista malaguenho tivesse, ainda muito jovem, acesso aos lápis e pincéis.Seu primeiro quadro foi pintado aos 8 anos e assinado como Pablo Ruiz. Na adolescência vivia desenhando e ajudava o pai nas pinturas. Estudou na Escola de Arte de La Coruña, e quando o pai foi transferido para Barcelona como mestre de pintura, Picasso entrou para a Academia de Arte da cidade, sendo aprovado com brilhantismo nos exames. A essa altura já tinha tido a oportunidade de conhecer os grandes mestres no Museu do Prado, em Madri. Expôs seus primeiros quadros naturalistas no final de 1894, em Barcelona, e mais tarde apresentou 150 desenhos no Els Quatre Gate, na mesma cidade.

EMEF Theo Dutra

EMEF Theo Dutra

domingo, 1 de julho de 2012

Amedeo Modigliani

Madame G. van Muyden, Amedeo Modigliani




Autodidata e dono de um estilo inconfundível, Modigliani teve uma vida intensa, marcada por grandes amores e infortúnios. Morto precocemente em 1920, aos 35 anos, conviveu com os principais nomes da cena artística parisiense de sua época. Na mostra, esta intimidade vem à tona no diário de sua mãe, em cartas trocadas com amigos como Pablo Picasso, André Derain, Max Jacob e Léonard Foujita e nas fotos de seu ateliê, de suas modelos e dos lugares onde viveu.
Outro destaque são as 22 obras produzidas pela mulher e amigos de Modigliani, que contribuem para contextualizar o profícuo período vivido pelo artista. São três óleos de sua esposa Jeanne Hébuterne, uma gravura de Picasso, outra de Foujita, pinturas feitas a quatro mãos com Moïse Kisling, além de peças de Marevna, Jacob e outros.
Com curadoria no Brasil de Olívio Guedes, diretor da Casa Modigliani (SP), e internacional do professor Christian Parisot, presidente do Modigliani Institut Archives Légalés Paris-Roma, as obras e peças expostas vêm do acervo deste instituto e de colecionadores particulares, além de telas do acervo do MASP. “Modigliani, que foi definido ‘o artista sem mestres e sem discípulos’, se destaca no panorama de nomes importantíssimos da história da arte por ter sido fiel à sua visão figurativa da arte, conseguindo chegar a um signo identitário, que é síntese perfeita entre a imagem e o sentimento que isso suscita em transferir a alma dos sujeitos, e não apenas as fisionomias deles”, diz o curador.
Após São Paulo, Modigliani: imagens de uma vida segue para o Museu Oscar Niemeyer (MON) em Curitiba. 

Jean-Baptiste Camille Corot

Rosas num Copo, de Corot, é uma das obras do acervo MASP na exposição ROMANTISMO - A ARTE DO ENTUSIASMO.




A Natureza, o Corpo, as Paixões, a Paisagem Urbana, o Imaginário. Estes e outros temas caros ao pensamento contemporâneo norteiam Romantismo – A arte do entusiasmo, exposição que o curador Teixeira Coelho concebeu a partir do acervo do MASP para o ano de 2010. Ao todo, 79 obras-primas foram escolhidas e, divididas em nove seções, serão apresentadas ao público num painel que reúne alguns dos maiores gênios da pintura do final do século 15 aos dias de hoje.
A mostra conta com o patrocínio do Banco PSA Finance Brasil e apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Para o filósofo britânico Isaiah Berlin, “o Romantismo foi a maior mudança no pensamento ocidental em todos os tempos”, aponta Teixeira Coelho. “Foi uma gigantesca e radical transformação. Mais do que uma transformação, uma revolução. Revolução contra o quê? Contra tudo. Contra as ideias eternas e universais, contra o passado e contra o futuro", complementa o curador, que foi buscar no acervo do MASP as obras que ajudam a traduzir, em momentos diversos da história da arte desde o final do século 15, os preceitos que viriam a compor o ideário romântico que move a sociedade desde então.
Ao todo, 63 artistas estão na mostra, entre eles El Greco, Bosch, Turner, impressionistas como Gauguin, Van Gogh, Renoir, Monet e Manet e modernos e contemporâneos como Dali, Rodin, Matisse, Amélia Toledo, León Ferrari e Marcelo Grassmann. Neste link, veja a relação de artistas e obras em nove grupos propostos pela curadoria, integrada também pelo curador adjunto Denis Molino.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Albuquerque, Georgina de (1885 - 1962)

"Cena rural com cavalos"



Georgina de Moura Andrade Albuquerque (Taubaté SP 1885 - Rio de Janeiro RJ 1962). Pintora, professora. Aos 15 anos, inicia sua formação artística com o pintor italiano Rosalbino Santoro (1858 - s.d.). Muda-se para o Rio de Janeiro em 1904, matricula-se na Escola Nacional de Belas Artes - Enba e estuda com Henrique Bernardelli (1858 - 1936). Em 1906, casa-se com o pintor Lucílio de Albuquerque (1877 - 1939) e viaja para a França. Em Paris, frequenta a École Nationale Supérieure des Beaux-Arts [Escola Nacional Superior de Belas Artes] e ainda a Académie Julian, onde é aluna de Henri Royer. Volta ao Brasil em 1911, expõe em São Paulo e, partir dessa data, participa regularmente da Exposição Geral de Belas Artes. De 1927 a 1948, leciona desenho artístico na Enba e, em 1935, é professora do curso de artes decorativas do Instituto de Artes da Universidade do Distrito Federal. Em 1940, em sua casa no bairro de Laranjeiras, no Rio de Janeiro, funda o Museu Lucílio de Albuquerque, e institui um curso pioneiro de desenho e pintura para crianças. Entre 1952 e 1954, exerce o cargo de diretora da Enba.
Georgina de Albuquerque é uma das principais mulheres brasileiras a conseguir firmar-se como artista no começo do século XX. Em suas pinturas, a artista tem como parâmetro o impressionismo e suas derivações. Elas apresentam uma paleta de cores luminosas, empregada com sensibilidade. Os temas mais constantes de Albuquerque são o nu, o retrato e a paisagem. Em Raio de Sol, s.d. ou Dia de Verão, ca.1920, com amplas pinceladas, ela explora as incidências luminosas e a vibração cromática. A partir de 1920, passa a trabalhar com uma paleta mais sóbria e a realizar pinturas com temas da vida popular, como Duas Roceiras, s.d. ou No Cafezal, ca.1930, entre outras.

terça-feira, 26 de junho de 2012

“Leitura” – Almeida Junior


Este quadro é considerado uma obra de ruptura, pois quebra com os padrões da figura feminina lançando um olhar diferenciado para esta mulher que tem desejos e vontades que não eram considerados no século XIX. Os indícios para esta conclusão estão nos seguintes elementos; a mulher foi retratada sozinha com uma postura mais desalinhada, os cabelos soltos fazem referência à liberdade e luxuria com um apelo sensual.

A mulher está lendo um livro o que não era comum para as mulheres na época, o que lhe indica acesso a cultura universo dominado pelos homens ( cultura=poder).

O corpo desta mulher está praticamente nos quadrantes de maior valor da ordem do sagrado e do profano. A parte da cabeça= intelecto é do sagrado e o corpo =desejos é do profano.




Professora Marisa Susi Feitosa - Historiadora  da Arte

O desenho comunica