A Arte como fio condutor dos vínculos que unem todos nós
Você certamente já ouviu alguém falar que a pintura e a poesia são atividades que ajudam os portadores de transtornos mentais a se reintegrar com o mundo, expressar seus sentimentos, angústias e emoções. Mas de que forma isso acontece? Como o cérebro reage ao simples ato de pintar uma tela ou escrever uma poesia? De que forma esta atividade colabora para uma maior convivência e porque o desenvolvimento dos laços e vínculos efetivos entre estes pacientes e o mundo é um fator determinante para que sejam inseridos socialmente?
Quem responde estas perguntas é o dr. Elko Perissinotti, psiquiatra do IPq (Instituto de Psiquiatria) da USP, em entrevista concedida à equipe do Instituto Lado a Lado pela Vida durante a Oficina do V Concurso Nacional de Pintura e Poesia Arte de Viver, realizada no IPq, no mês de abril. Confira.
Colocando a “circuitaria” cerebral para funcionar
Quando o paciente começa a elaborar uma pintura ou poesia, uma série de neurônios – as células do cérebro – começa a funcionar de maneira ordenada. “Com a arte, você tem como mexer nesta ‘circuitaria’ cerebral, que é a renovação de sinapses [contato entre os neurônios] e, ao mesmo tempo, uma intervenção também que envolve o âmbito psicofisiológico”, conta.
A arte colabora, sobremaneira, para a formação de novas interações entre essas células, que faz os pacientes terem novos padrões de comportamento. “Isso faz com que os pacientes se adaptem ou estabeleçam um novo padrão de vida, de relacionamento e de recuperação de vínculos afetivos”. É o que, também, segundo Perissinotti, auxilia no aumento dos vínculos familiares, de amizades e também de lazer.
Os vínculos afetivos e a ressocialização
A reação de aumento dos vínculos familiares é especialmente importante no caso dos portadores de esquizofrenia, já que eles, nos períodos de crise, tendem a se isolar. “Começam a estabelecer vínculos afetivos, a expressar através da arte sentimentos e emoções que normalmente estão embotados, meio atrofiados, como nestes tipos de enfermidade mental. Então, é uma grande chance para ressocialização, e não só. É uma grande chance também para reabilitação cognitiva, porque no momento que você está mexendo com funções psicofisiológicas e neurofisiológicas por meio da arteterapia, você está automaticamente se implicando num processo de reabilitação cognitiva”, explica.
A arteterapia como uma forma complementar de tratamento e reinserção do portador de esquizofrenia na sociedade é bastante elogiada por Perissinotti, principalmente porque a arte permite a ele mostrar ao mundo o que está sentindo. “A doença mental só pode ser curada à medida que espontaneamente o indivíduo vá se reintegrando por meio da expressão de sentimentos, emoções e estabelecendo vínculos afetivos”.
Para entender a esquizofrenia acesse www.ladoaladopelavida.org.br/

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