segunda-feira, 30 de março de 2020

Povos indígenas: usando as palavras certas

Quem nunca ouviu esta música de Jorge Ben Jor na voz de Baby do Brasil? Quem não sentiu uma ponta de emoção ao se dar conta que a história do Brasil ocultou a presença dos indígenas na formação da identidade nacional “oferecendo” apenas um dia para “comemorar” a memória de nossos primeiros ancestrais?

Educar é como catar piolho na cabeça da criança. É preciso que haja esperança, abandono, perseverança. A esperança é crença de que se está cumprindo uma missão; o abandono é a confiança do educando na palavra; a perseverança é a perseguição aos mais teimosos dos piolhos, é não permitir que um único escape, se perca. Só se educa pelo carinho e catar piolho é o carinho que o educador faz na cabeça do educando, estimulando-o, pela palavra e pela magia do silêncio. Ser educador é ser confessor dos próprios sonhos e só quem é capaz de oferecer um colo para que o educando repouse a cabeça e se abandone ao som das palavras mágicas, pode fazer o outro construir seus próprios sonhos. E pouco importa se os piolhos são apenas imaginários!

O que narrei até aqui foi para mostrar que as palavras têm um poder enorme de moldar as mentes das pessoas. Elas servem para alçar, elevar, dignificar ao mesmo tempo que podem detonar, humilhar e desqualificar pessoas, povos, grupos, civilizações. Este é o poder que elas têm. Felizmente, porém, a palavra tem como intermediário a consciência humana. Digo felizmente porque a consciência pode ser educada, transformada e utilizar o apreendido para transformar as relações através do uso correto das palavras.

Daniel Munduruku

www.danielmunduruku.blogspot.com.br


SUGESTÕES DE LEITURA:

ALMEIDA, Maria Regina Celestino. Os índios na história do Brasil. Rio de Janeiro: FGV Editora, 2010. (FGV de bolso, 15. Série História).
RIBEIRO, Berta. O índio na cultura brasileira. São Paulo: Revan, 2008.
STADEN, Hans. Primeiros registros escritos e ilustrados sobre o Brasil e seus habitantes. São Paulo: Terceiro Nome, 1999. 
GAMBINI, Roberto. O espelho índio: formação da alma brasileira. São Paulo: Axis Mundi: Terceiro Nome, 2000.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O desenho comunica