A propaganda, atualmente, pode ser algo extremamente inovador, novo, reciclado, conceituado, e que por estes e outros
motivos, as pessoas certamente podem pensar que a propaganda pode ou poderia
vir a ser um modelo de arte.
Porém, ela não pode ser considerada uma arte, pois
ela existe unicamente com fins lucrativos e com idéias de vendas, com
propósitos extremamente bolados, criados cuidadosamente com um único propósito
de se conseguir lucros com esse trabalho que estará sendo desenvolvida, a
verdadeira arte, ela é trabalhada somente com emoções, expressões, liberdade de
escolha para com seus modelos que serão retratados nas pinturas, esculturas, e
outros modos da arte. A verdadeira arte não incita algum tipo de verba financeira
por trás do que é criado, é criado exclusivamente com o conceito de que na obra
existem emoções, idéias, expressões, sugestões para as pessoas da época em que
é criada, modos de pensar, de se viver e até pressões políticas.
A propaganda é criada com prazos de término, de
entrega, criada exclusivamente para tal estilo de publico, para tal estilo de
cliente, para tal estilo de produto, sempre se focalizando o resultado final e
o q será alcançado com a propaganda e o grau de satisfação do cliente no produto
entregue a ele.
Portanto, a propaganda, no geral, não é considerada
arte, porque ela é realizada com fins lucrativos, com conceitos extremos de
pensamentos e cálculos.
Enquanto que a arte, é realizada sem nenhum tipo de
foco financeiro, é feita com expressões emocionais, sentimentais com o que se
está acontecendo no exato momento em que se está sendo criada, e que no final
dela, o artista não está pensando para qual tipo de pessoa ele irá vender, nem
publicar sua obra.
A arte pode sim interferir na propaganda, pois
dela, os publicitários podem retirar idéias para suas propagandas, e ate mesmo,
utilizar algumas dessas obras em suas propagandas, já que utilizando obras
famosas e conhecidas, podem dar credibilidade e atenção a propaganda que a usa,
então, alguns publicitários utilizam de obras artísticas para conseguir sua
campanha, porem, a propaganda certamente ainda não interfere na arte.
As convergências
entre a arte, a literatura e a propaganda
Nenhuma
obra de arte possui um significado fixo e determinado. Ao contrário, é
precisamente no caráter polissémico da obra, que reside seu valor. Por outro
lado, o significado de uma obra que representa ambigüidades de interpretações
pode ser tão objetivo e claro quanto um preciso e unívoco.
A
arte, como diz Ernest Fischer, jamais se limitaria a mera descrição da
realidade social. Ao contrario, é função do artista interpretar essa realidade
através de sua visão do mundo e de manifestar suas concepções políticos
ideológicos.
Para
a formação da imagem devem-se criar condições para que os componentes racionais
e emocionais se apresentem integrados e isso se dará através da criação do
visual da campanha : Escolha das cores a serem utilizadas, estudo dos formatos,
quantidade e qualificação de materiais a serem encomendados e harmonização de
todos estes elementos.
Segundo
Rene Huygue, estamos vivendo num mundo de sinais, onde não somos mais o que
desejamos ser, mas o que a maciça propaganda faz com que sejamos. Os símbolos e
as imagens criadas pela propaganda podem trazer varias convicções, como por
exemplo, a de que se deve adquirir isto ou aquilo. Parece evidente que a
propaganda pode ter influência muito maior que a literatura, pois enquanto esta
representa uma forma de sugerir os aspectos mais complexos e menos aparentes do
comportamento, o estereótipo tratado pela propaganda geralmente acentua um
aspecto bem visível do comportamento ou da vida social, com a exclusão de todos
os pontos contraditórios.
Essa
diferença explica bem o constante desentendimento entre a literatura e a
propaganda . Se a primeira procura os
aspectos mais conflitantes da vida individual e social , a segunda limita tais aspectos através da valorização exclusiva
de um ponto de vista ou de uma aparência. O que aproxima a literatura da
propaganda é o fato do escritor querer ser lido por um grande número de
leitores e o publicitário quer ultrapassar os limites impostos pela sua área de
atuação.
O
estilo de escrever, a originalidade de seu trabalho e a proposta de ser
apresentado ao seu público são alguns componentes importantes na qualidade
literária . Alias, sua importância consiste precisamente no caráter inovador
que apresenta a um certo público. No entanto, é preciso estar atento para não
torna-lo inteiramente isolado . Caso contrario, perderia sua função. Sem dúvida
é impossível compreender a existência de um valor estético que permaneça
restrito a um minoria. A sua criação indica um passo indispensável , no
entanto, quando se generaliza, tornando-o do conhecimento da sociedade, parece
tão importante como o ato de criar, mas não basta ser um novo valor da
sociedade, é necessário que seja aceito.
O
conhecimento teórico do romance se torna mais pertinente quando o objeto
central a ser analisado é a literatura dirigida ao grande publico . Vale ressaltar
que os valores autênticos diferem de um romance para outro, isso ocorre pois
estes se organizam no plano de sua própria obra formando o conjunto de seu
universo.
Entretanto
, para o grande público, as teorias intelectuais só adquirem sentido quando se
transformam em formulas simples ou em estereótipos, isto é, quando
perdem suas características significativas para entender a literatura é
necessário considerar as diferenças individuais, pois isto levará a uma
riqueza maior das interpretações contraditórias.
Para
Waldenyr Caldas a estrutura dos textos na paraliteratura, repousa basicamente
no voyerismo, já que o leitor só consome signos e representações do real
e do imaginário e em situações maniqueistas, sem a analise social e
política do universo abordado.
O
meio acadêmico vê a paraliteratura como um produto de mal gosto destinado para
um publico semi-culto. Entretanto , numa análise sociológica , há uma grande
penetração que possui a mesma importância que os produtos que veiculam
ideologias ou que são consagradas pela critica especializada O discurso da
paraliteratura de imaginação constitui uma forma de interpretação do
mundo, estabelecendo, não propriamente, uma contradição entre a linguagem
reconhecida como literária e não-literária, mas somente as diferenças entre a
literatura culta e a paraliteratura. Trata-se apenas de uma interpretação de
suas contradições e das condições em que foram produzidas.
As
comparações da paraliteratura e da cultura de massa sua inevitáveis. As
estórias em quadrinhos , os jornais e até mesmo as telenovelas são pequenas
partículas formadoras do universo paraliterário dessa forma pode-se
incorpora-la na cultura de massa.
Em
relação as artes plásticas, a Pop Art cumpriu esse papel . Esta começou como um
nova forma de expressão, procurando exprimir a tensão dinâmica e os aspectos
condicionados do ser humano da cidade.
Rauschenberg
utilizou em seus trabalhos, colagens de fotos, recortes de anúncios de
propaganda, imagens ajustadas a pintura, acrescentando a elas objetos banais.
Procurou focalizar as imagens estereotipadas da sociedade industrial, mostrando
a visão subjetiva da arte.
A
Arte Pop, como todo trabalho que mescla pintura, com escultura e com técnicas
variadas (fotografia, material impresso e colagens), visa ironizar. Esta é
justamente um forma de se comunicar com um publico maior, rompendo com o
isolacionismo de outrora, saindo de sua interioridade-Ateliê habitual em seu
modo de fazer artístico para se articular em torno do coletivo-urbano.
A
Arte, qualquer que seja, é sempre uma forma de expressão consciente ou
inconsciente. A propaganda, por sua vez, jamais é uma expressão, mas sim uma
representação. A arte propõe sempre uma visão transcendente do homem e a
propaganda dispõe dele.
Entretanto,
a arte caminhou em direção a sociedade de consumo, diante disso, percebe-se que
as influencias entre a arte e a propaganda ocorrem no mesmo sentido.
Os
meios de comunicação criaram um iconografia urbana (garrafas de Coca-Cola, 7UP,
rostos de estrelas de cinema e Hambúrgueres) que algum artistas incorporaram em
suas obras (Claes Oldenburg trabalhou com objetos tridimensionais, produtos de
consumo de massa , centrando sua atenção para a imagem publicitaria).
Inversamente, o tratamento formal dado pela experimentação plástica a esses
materiais são aproveitados pelos meios de comunicação em novas mensagens. Esses
mesmos meios tomaram elementos à sensibilidade popular (imagens técnicas de
representação) e os incluíram em sua comunicação, por seu lado os movimentos
populares extraíram elementos das culturas de massa e se adaptaram para
produzir mensagens que expressaram seus interesses.
A
sociedade moderna conserva de fato o objeto artístico ao mesmo tempo que nega a
possibilidade da arte e, com isso, a promessa de autonomia que sempre encerra.
A obra de arte subsiste, embora não como foi concebida, mas como produto. As
manifestações artísticas assumiram a arte como um ritual conformista,
desde a Pop Art e Minimal Art até a Arte Conceitual.
A
publicidade, por sua vez, incide sobre a ansiedade, mostrando que o modo de
vence-la é consumir. De acordo com os mitos da publicidade, os que não possuem
o poder de gastar dinheiro tornam-se literalmente homens sem rosto. Quem
tem , é digno de ser amado. Por isso a arte é tão útil a publicidade,
pois detona riqueza e espiritualidade ao mesmo tempo que luxo e valor
cultural. A publicidade se apropriou das relações ou implicações entre a obra
de arte e o espectador proprietário, procurou persuadi-lo, transformando-o em
espectador comprador ( " Modos de Ver" de John Berger, Sven Blomberg,
Cris Fox e Richard Holllis).
A
sociedade se fragmentou em faixas de mercado, criando um produto cultural
fragmentado, cuja única expressão de domínio é o consumo. Se a produção
cultural estiver presa ao circulo vicioso do consumo e se a cultura
estiver fragmentada de tal modo em faixas de mercado, tornará a arte cada
vez mais dependente do mercado.
A
cultura de massa, cujo objetivo é o lucro, vai destinar seus produtos aos
diversos níveis de gostos , estratificando o consumo cultural. No campo da
produção cultural , a arte e a literatura , ditas cultas, são produzidas pela
classe dominante para si mesma e a paraliteratura e a arte pop são
destinadas a parte semi-letrada da sociedade.
Segundo
Antônio Cândido, pertencemos a uma massa cujas reações obedecem ao
condicionamento do momento e do meio que vive.







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